OS DESAFIOS DO SÍNDICO MORADOR

Com o crescimento populacional nas grandes cidades, a moradia passou a ser um desafio para a sociedade atual.

No passado, as pessoas sonhavam em comprar casas com quitais, e garagens, onde poderiam recepcionar familiares e amigos.

Porém, na atualidade, as pessoas já não têm mais tantos filhos, e grandes espaços como as das casas do passado deixaram de ser um sonho, bastando atualmente ter um local onde você possa dormir, comer e descansar do dia a dia proporcionado pelas rotinas das grandes cidades.

E é aí que as construtoras encontraram a solução, colocar casas em cima uma das outras, ou seja, construir para cima, chamando esses empreendimentos de condomínios edilícios.

Porém, com essa solução, vieram outros desafios, a de se fazer pessoas com hábitos, crenças, educação tão diferentes conviverem em espaços tão próximos.

Quem vive ou viveu em condomínio, sabe que a privacidade é muito menor do que se viver em uma casa.

O que separa a privacidade dos moradores em um condomínio, são paredes de poucos centímetros.

Percebendo que pessoas tão diferentes teriam que conviver tão próximas, os legisladores criaram uma serie de leis que regulam o convívio em condomínio edilício, e dentre essas leis surge a figura do síndico, a figura que tem por obrigação de tentar fazer com que pessoas tão diferentes convivam muito próximas e em máxima harmonia.

A expressão “tentar fazer” não foi utilizada de forma genérica, porque, mesmo que a lei obrigue o síndico a aplicar advertências e multar infratores do regulamento interno, cobrar os inadimplentes, realizar as manutenções e obras de conservação do prédio, nem sempre isso é possível, porque cada condomínio possui seus próprios desafios, cabendo ao síndico entender a realidade do seu condomínio e TENTAR fazer com que tudo seja realizado dentro da lei.

O cargo de síndico, comummente, não é almejado por nenhum morador do condomínio, porque muitos daqueles que moram no condomínio trabalham e não possuem tempo para cuidar das responsabilidades do cargo, que são muitas e demandam grande responsabilidade.

Nas assembleias para eleição de síndico, dependendo do porte do condomínio e dos moradores, não há outra opção a não ser eleger um morador para exercer a função. Isso porque, o cargo não pode ficar vago, e porque os moradores não conseguem pagar por um síndico profissional.

Um síndico morador normalmente cuida das questões do condomínio após sua jornada de trabalho, que normalmente é a atividade de sustento do síndico morador. Dificilmente um síndico morador consegue o sustento somente da atividade de síndico. Isso porque, condomínios que possuem síndicos moradores, são condomínios onde a quota condominial é muito baixa e serve apenas para o pagamento das despesas essenciais, e o síndico morador, pelo exercício do cargo, deixa de pagar apenas a quota condominial.

E não será somente após sua jornada de trabalho que o síndico será demando pelo condomínio. Um portão do estacionamento que quebrou no domingo de Natal, obrigará o síndico a entrar em contato com o prestador, negociar o valor do serviço, aguardar o prestador chegar, acompanhar o serviço, recepcionar o recibo/nota fiscal e enviar à administradora no próximo dia útil. Síndico morador, infelizmente, pode perder momentos especiais com familiares e amigos, porque a responsabilidade irá chamá-lo.

E nem pense o síndico em deixar de cumprir com suas responsabilidades, mesmo nestas datas especiais, porque haverá cobrança enfática dos moradores, mesmo sabendo que o síndico morador, para exercer a função, deixa apenas de pagar a quota condominial, que nesses casos costumam ser quotas de condomínio baixa, ou seja, trabalho muito e recebe pouquíssimo.

No exemplo acima, imaginemos também. Você morador saindo para as festas natalinas e o portão do estacionamento não abre por mau funcionamento. Somente uma pessoa tem autonomia para contratar e realizar a despesa para manutenção, e essa pessoa é o síndico, ou seja, você morador só pode cobrar a pessoa responsável.

Outro fator importantíssimo para que o síndico morador não deixe de cumprir com suas reponsabilidades, é que na eventualidade de um sinistro dentro do condomínio por mau funcionamento ou falta de manutenção, a responsabilidade será atribuída a ele pela lei. E dependendo da situação, poderá o síndico morador responder até criminalmente.

Por isso, quando não é possível se contratar um síndico profissional, e um morador aceita o grande desafio de exercer a função de síndico, cabe aos demais moradores terem a compreensão que o morador está sendo praticamente altruísta em aceitar o cargo.

Cabe também aos demais moradores ajudar o síndico da melhor forma possível, como respeitar espontaneamente o regulamento interno, pagando as cotas condomínios em dia e, se possível, batendo na porta do síndico morador para perguntar se alguma ajuda é necessária.

Isso porque, mesmo na utopia descrita acima, problemas no condomínio aparecerão, e isso por si só já demandará muito do síndico, que será a o responsável legal por apresentar as soluções.

CONCLUSÃO

Se você mora em um condomínio que tem um síndico morador, seja amigável, compreensível e, quando possível, ofereça uma ajuda a ele, porque graças a ele esse cargo de imensa responsabilidade não está com você.

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